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| Missionária Bráulia Ribeiro |
Estávamos pensando estes dias sobre a existência do Missionário ideal. Demoramos a perceber que ele não existe. É formado a partir do chamado pessoal de alguém que pode ser claro e visível a olho nu, como pode ser impossível de ser visto.
Lendo uma revista sobre Missões, pudemos perceber que minha visão sobre o Clamor do Mundo estava limitada. O clamor não está lá fora. O "Clamor" está dentro das Igrejas. Muitos futuros missionários são desacreditados pelo modo de vestir, pela forma que falam, pelos trejeitos que possuem, por não serem casados ou pela indiferença que nutrem por quem pensa algo deles antes mesmo de estarem no campo missionário.
A verdade é que não temos a menor noção do que é estar num mundo dominado pelas armas e a falta de lei. O Reino de Deus significa Justiça, Respeito e Dignidade. Só que em muitos lugares aqui no Rio de Janeiro, em nosso Brasil e no Mundo exterior... Essas palavras são relegadas ao vento.
Enquanto autoridades brigam na Justiça para impedir que grupos evangélicos cheguem até aos índios para pregarem sobre Jesus, muitos de nossos índios mais precisamente, as índias, sofrem com políticos de algumas regiões entre a fronteira do Brasil com Peru.
Segundo a Revista Ultimato, Novembro-Dezembro de 2008, pudemos constatar que o que fazemos por Missões está limitado. Percebemos que o medo, o terror está nos olhos de muitos missionários que estão em solo brasileiro. Têm Deus como Senhor, acreditam que o Senhor os guarde, mas encontram-se amedrontados nos campos de ação, devido a ataques e ameaças de alguns políticos que nós, brasileiros, colocamos no poder através de nosso voto.
Segundo Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho/RO (braulia_ribeiro@yahoo.com), em um de seus artigos expõe sobre uma mulher guerreira na presença do Senhor, que luta contra a impunidade de alguns governantes e que luta pelo bem-estar de índios no interior do país. O mesmo governo que luta contra missionários que vão até às aldeias falarem de Jesus e levarem ajuda social é o governo que maltrata muitos índios, levando caixas de cachaça e até álcool puro para embebedá-los, a fim de angariarem votos nas próximas eleições.
Devemos deixar claro, que quando citamos governo, não falamos da maioria, pois muitos são homens comprometidos com o eleitorado, mas falamos de uma minoria que usa de suas influências para espancar índios e engravidar índias em nome do voto.
E quando citamos esta reportagem é para concluir o que falamos no início. Muitos missionários estão despreparados para esta realidade. Não é preciso sair do país para ver perseguição, basta abrir os olhos para o que acontece em nosso próprio território.
A missionária que enviou a carta à nossa irmã Bráulia é uma jovem, segundo o artigo da Revista Ultimato, que se movimentava "com um gingado de dançarina de cabaré. [...] Hoje, ela e o marido são missionários que qualquer missão gostaria de ter reforçando suas trincheiras. Abnegados, dedicados, amorosos, íntegros e, mais do que isto, a mulher tem garra guerrilheira.". Já pensou se fôssemos enviar missionários só porque andam de terno ou porque possuem uma boa roupa, que desastre seria.
Devemos abrir nossos olhos ao talento que muitos de nossos jovens possuem. Talvez, aquele que é improvável ao serviço, seja o mais qualificado. Ouçamos o clamor em nossas igrejas também. O missionário ideal nasce da improbabilidade que possuem em dar certo. Devemos completar, no entanto, que o que se destaca nas igrejas pode ser provável também.

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